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Dr. Nêuton Magalhães

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Na hora do diagnóstico, o trabalho do especialista em relação à dor é como o trabalho de um detetive em busca de um criminoso, tendo como objetivo principal a identificação de agentes causais, a origem, intensidade e a influência de fatores psicossociais sobre a dor, para determinar o processo mais adequado de tratamento.

A partir da investigação, é criado o histórico (ou anamnese), que é constituído por perguntas do profissional e informações fornecidas pelo paciente. São coletadas informações sobre como aconteceu a dor, sua duração e periodicidade, a localização, como evoluiu, fatores agravantes ou alívio e os medicamentos e outras terapias usadas previamente para tratar a dor. Também são investigadas as repercussões da dor em atividades diárias do paciente e fatores que podem contribuir para a dor, como: estado de ânimo, relacionamento familiar, atitudes frente à dor, crenças, valores do indivíduo e da família.

O histórico pode ser complementado por outras ferramentas auxiliares, tais como:

  • desenhos representativos do corpo do paciente, onde ele mesmo pode indicar os pontos afetados pela dor;
  • desenhos da forma como essa dor se manifesta;
  • escalas qualitativas ou quantitativas, onde o paciente indica um valor para a sua dor em números (de 1 a 5 ou de 1 a 10) ou por desenhos onde indica uma gradação de faces, de sorridentes a chorosas (escala de faces).

Em casos de dores crônicas, outros fatores que podem contribuir com o aparecimento da dor devem ter atenção especial, como atividades físicas ou sobrecargas, posições do corpo ao deitar, sentar, alterações comportamentais, tipo de sono, atividade sexual, apetite, hábitos alimentares, atividades domiciliares, laborativas e lazer.

EXAME CLÍNICO: De posse de todas essas informações e muitas outras que não listamos aqui, o profissional deve proceder ao exame físico do paciente na tentativa de tornarem mais precisas as informações obtidas no Histórico e visando detectar, de forma mais segura, a origem da dor, sua localização e estabelecer o diagnóstico.

Para tal, o profissional da saúde deve se valer da observação criteriosa do paciente, uma vez que as manifestações mais comuns da dor podem se apresentar na forma de choros ou gemidos, expressões no rosto como o enrugamento ou contração muscular, movimentos do corpo considerados como defensivos contra a fonte da dor, principalmente na dor aguda, uma vez que, na dor crônica, o organismo muitas vezes está “acostumado” com estas sensações. Também deve ser observada a estrutura músculo-esquelética para constatar-se possíveis deformidades, atrofias e outras manifestações anormais.

Outros recursos importantes no exame são os testes ou manobras clínicas especiais que podem auxiliar determinados diagnósticos, como tendinites, compressão de nervos e outros.

Faz parte ainda do exame a palpação de diferentes estruturas do corpo, que permitem delimitar áreas dolorosas, consistência muscular, alterações em órgãos internos como fígado, baço e outros e, em determinados casos, a presença de PONTOS GATILHOS, que são pequenas áreas de dor intensa, localizadas em músculos muito tensos. Quando essas áreas são pressionadas com os dedos, pela introdução de uma agulha ou mesmo espontaneamente, desencadeiam dor numa região distante.
Por esta descrição, que, apesar de longa, não detalha ainda todo o processo que o profissional aplica para ajudar o paciente, pode-se observar a real complexidade do assunto DOR.

EXAMES COMPLEMENTARES: Devido à complexidade do quadro doloroso, pode ser necessária a execução de exames que complementem o exame clínico, que, no entanto, permanece o melhor instrumento na identificação das causas do quadro doloroso apresentado.
Esses exames podem ser classificados nos seguintes grupos:

ELETROFISIOLÓGICOS: Aqueles que determinam através de aparelhos o funcionamento de tecidos. Alguns exames desse grupo são, dentre outros: a eletroneuromiografia.

EXAMES DE IMAGEM: Os exames de imagem auxiliam os Profissionais da Saúde a identificar as anormalidades dos locais afetados e ajudam a confirmar lesões em tecidos e órgãos. O mais conhecido deles é a radiografia simples (ou raio-X). A medicina conta hoje com modernos dispositivos de exame, como a tomografia computadorizada, a ultrassonografia, o mapeamento ósseo e os estudos funcionais de imagem, dentre outros.

EXAMES LABORATORIAIS: Os exames de sangue são importantes para detectar ou excluir anormalidades inflamatórias, metabólicas, degenerativas, entre outras. Podem ser verificadas alterações no funcionamento de algumas estruturas do corpo através de alguns exames específicos, como exames de líquido sinovial (que “banha” as articulações) ou de líquido cefalorraquidiano (que “banha” a medula espinhal), bem como biópsias ou exames para verificar o funcionamento de glândulas (diabetes) e outros.