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Dr. Nêuton Magalhães

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Qual o melhor tratamento para a doença (mal) de Parkinson?

A doença de Parkinson não tem cura, mas tem tratamento assim como a diabetes, a hipertensão e tantas outras doenças crónicas.

O tratamento da doença de Parkinson pode ser tanto medicamentoso quanto cirúrgico. Em 1967, o lançamento da levodopa (Prolopa®) provocou uma verdadeira revolução no tratamento da doença de Parkinson. Os resultados com essa nova droga eram tão espetaculares que parecia ter-se descoberto a solução final para a enfermidade. Durante cerca de 20 anos, o tratamento farmacológico desta doença ofuscou o tratamento cirúrgico (que já existia desde 1950). No entanto, à medida que os anos foram se passando, foi obervado que o efeito da levodopoterapia diminuía ou resultava em complicações mais graves que os sintomas da própria doença de Parkinson, as chamadas discinesias que são movimentos anormais induzidos por seu uso prolongado.

Na década de 80, o médico finlandês Dr. Leksell, publicou um trabalho propondo uma pequena modificação nesta técnica e houve, então, o ressurgimento da cirurgia para doença de Parkinson, justamente como uma alternativa que pudesse compensar as complicações induzidas pelo tratamento farmacológico.

No final da década de 90. um grupo de neurocirurgiões de Grenoble, na França, capitaneada pelo Dr. Mim Louis Benabid, publicou um artigo científico mostrando os resultados de uma nova técnica neurocirúrgica para doença de Parkinson: implantação de eletrodos cerebrais profundos (Deep Brain Stimulation DBS) nos alvos que controlam os movimentos anormais desta doença. Os estimuladores cerebrais, à semelhança dos marca passos cardíacos, são implantados abaixo da pele e podem ser ligados, desligados ou programados através de um programador (um ímã) sobre a pele toda vez que o paciente retorna para as consultas.

Uma das grandes vantagens deste novo procedimento sobre as cirurgias realizadas anteriormente, como por exemplo, é o fato de não se produzir uma lesão definitiva, podendo o eletrodo ser desligado ou retirado no caso de falta da resposta espera-da ou de infecções, permitindo que o paciente possa a vir a ser operado por qualquer outra técnica no futuro.

Apesar de ser uma técnica bastante eficiente, ajustável e reversível, nem todos os pacientes com doença de Parkinson são candidatos a esta cirurgia. A primeira grande barreira são os custos elevados devido ao fato de serem materiais importados e fabricado por apenas três empresas no mundo. Entretanto, é um tratamento disponível pelo SUS em alguns Esta-dos do Brasil e liberados pelos planos de saúde quando são obedecidos alguns critérios.

Um dos pontos mais críticos para o sucesso desta cirurgia é saber qual o paciente é adequado e o momento certo para sua implantação. Não podemos implantar em pacientes recém diagnosticados nem tampouco em pacientes nos estágios avançados da doença. Geralmente, indica-se esta cirurgia para paciente com mais de cinco anos de doença, com boa cognição (sem demência), que vem mantendo resposta ao tratamento com a levo-dopa. porém com difícil controle dos sintomas, exigindo doses elevadas que resultam em efeitos colaterais incapacitantes.

Assim, estamos numa nova era do tratamento da Doença de Parkinson: a era da NEUROMODULAÇÃO. onde ao invés de fazermos lesões cerebrais, implantamos eletrodos cerebrais para modular (modificar) as funções alteradas. Com isso, mais de 80 mil pacientes já foram operados ao redor do mundo com esta técnica desde sua publicação.

POR DR. NEUTON MAGALHÃES
• CRM-PB: 5914 / NEUROCIRURGIÃO: RQE 5001 / NEUROLOGISTA: RQE 5001
• Especialista em Dor e Cirurgia para Doença de Parkinson pela USP
• Doutor em Neurologia (área de dor) pela USP
• Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia