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Dr. Nêuton Magalhães

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O que se pensa sobre cefaléia?

COMO PENSA O MÉDICO NEUROLOGISTA SOBRE CEFALÉIA ?

Dor de cabeça ou cefaléia é talvez a queixa mais comum nos atendimentos de urgência envolvendo pacientes com dor.

O médico que atende um paciente com queixa de cefaléia tenta classificar o tipo de cefaléia do paciente em um dos dois grupos principais: cefaléias primárias ou cefaléias secundárias. As cefaléias primárias constituem aquele tipo de cefaléia que não tem um fator causador objetivo tal como um tumor cerebral, ruptura de um aneurisma cerebral ou outra doença. Esse tipo de cefaléia equivale à própria doença e ao sintoma ao mesmo tempo. As cefaléias secundárias, como o nome já deduz, são secundárias a alguma doença: tumor cerebral, hidrocefalia, meningite, aneurismas cerebral, etc.

As cefaléias primárias têm uma grande vantagem para os médicos: elas se apresentam quase sempre da mesma forma em qualquer paciente, independente da raça, da cor, da idade, do sexo, etc. Os pacientes que apresentam esse tipo de cefaléia descrevem características muito semelhantes em qualquer parte do mundo, em qualquer idioma ! Isto permitiu ao Neurologistas elaborarem uma Classificação Internacional de Cefaléia que agrupa e classifica essas cefaléias e, assim, permite estabelecer um tratamento adequado.

Por exemplo: Sabe quantos episódios de cefaléia uma pessoa precisa apresentar ao longo da vida para receber o diagnóstico de ENXAQUECA ?

APENAS 5 (CINCO) episódios com as seguitnes características:

CLASSFICAÇÃO INTERNACIONAL DAS CEFALÉIAS (MIGRÂNEA SEM AURA):

A- Ocorrência de pelo menos 5 crises, satisfazendo os critérios enumerados nos itens B a D.

B- Crises de cefaléia com duração de 4 a 72 horas (quando não tratadas ou tratadas sem sucesso).

C- Cefaléia com pelo menos duas das seguintes características:

1) localização unilateral;

2) caráter pulsátil;

3) intensidade moderada ou forte;

4) agravamento ou afastamento com relação à atividade física rotineira (p.ex. caminhar ou subir degraus)

D- Durante as crises de cefaléia, presença de pelo menos uma das seguintes anifestações:

1) náuseas e/ou vômitos;

2) fotofobia e fonofobia.

E- Não ser atribuível a outra doença

Parece simples ? Nem tanto....muitas cefaléias secundárias a doenças sistêmicas podem se apresentar com estas características, por isso os pacientes precisam ser avaliados por um médico devidamente treinado no atendimento a pacientes com cefaléia: neurologistas ou neurocirugiões (principalmente aqueles que se dedicam à area de dor).

Existem inúmeras causas de cefaléias. São tantas nuanças e possibilidades distintas de diagnósticos e tratamentos que alguns Neurologistas se especializam somente em cefaléia, são os CEFALIATRAS, você sabia ? Geralmente fazem uma formação após a residência médica em Neurologia. Se você sofre de cefaléia de difícil controle, procure saber se existe um cefaliatra na sua cidade !



E COMO PENSAM OS PACIENTES QUE SOFREM DE CEFALÉIA ?

Os pacientes com cefaléia muitas vezes pensam logo na pior causa possível para sua dor de cabeça: tumor, aneurisma, meningite, etc... E quando não encontram anormalidades nos exames de tomografia ou ressonância de crânio, ficam a duvidar do diagnóstico que recebem. Enxaqueca ? Migrânea ? Como assim doutor ? se meus exames foram normais ? Por que essa dor de cabeça não vai embora ?

E o que acontece depois ? Não seguem o tratamento proposto pelo primeiro médico, esperam a próxima crise surgir para procurarem outro médico...e assim vão: de crise em crise, de emergência em emergência, de médico em médico até se convencerem de que precisam fazer um tratamento sério com um Neurologista, se não, jamais terão qualidade de vida !

A psicologia médica explica: Isto é uma característica de quase todos os pacientes com qualquer doença crônica: inicialmente recusam o diagnóstico (fase inicial). E quanto mais tempo passar para aceitarem seu diagnóstico, entenderem mais da sua doença, mais difícil será o controle da sua dor. Por exemplo, se a quantidade de dias com cefaléia superar 15 dias por mês, podemos estar diante de um paciente com cefaléia crônica diária originária de uma enxaqueca mal tratada, um tipo de cefaléia extremamente difícil de tratar.]

Migrânea Crônica: Aproximadamente 4% da população adulta apresenta cefaleia crônica, ou seja, cefaleia em 15 ou mais dias por mês. Aproximadamente metade deste grupo apresenta migrânea crônica, e a outra metade apresenta cefaleia do tipo tensional crônica.

Alguns pacientes podem ter dois tipos de cefaléia, por exemplo, cefaléia tensional e enxaqueca. Isto é muito comum. Por isso, algumas vezes, seu médico poderá solicitar que você preencha no seu dia a dia um diário de cefaléia o qual consiste numa tabela onde são anotadas características de cada episódio da dor de cabeça, os fatores agravantes, os fatores de alívio, se ocorre aura, etc. Este instrumento será de grande valia no seu tratamento.

Mas o que é AURA migranosa e quais sintomas podem ocorrer? A aura é qualquer sintomas neurológico que ocorre pouco antes da cefaleia. Sintomas visuais (ex: luzes piscando ou desenhos em zigue-zague), sintomas somatosensitivos (ex: parestesias, dormências), problemas de fala e, raramente, sintomas motores (déficit de força) podem ocorrer durante a aura. Os sintomas geralmente duram de 5 a 60 minutos. Antes do diagnóstico de migrânea, outros possíveis déficits neurológicos devem ser excluídos.


Se você teve ou tem algum sintoma antes de iniciar a dor de cabeça, informe a seu médico. É muito importante ele saber disso. Poderá, inclusive, definir que tipo de medicação será prescrita.

O que pode desencadear uma crise de migrânea? Menstruação. Dormir menos ou mais que o necessário, ou outros distúrbios do sono. Estresse (ou em alguns pacientes, redução de estresse). Álcool (ex: vinho tinto). Cafeína (ex: café, chocolate). Alimentos que contenham glutamato ou aspartame. Desidratação. Drogas vasodilatadoras (ex: nitratos).

O que causa a enxaqueca ?

A Fisiopatologia da migrânea foi considerada uma cefaleia de origem vascular até finais do século 20, mas hoje sabe-se que ela é resultado de uma disfunção do cérebro, com anormalidades vasculares secundárias a um evento neuronal. A migrânea tem um componente genético bastante forte, e um grande estudo genético sugere o envolvimento de vias glutamatérgicas (um neurotransmissor) na patogênese da migrânea. Variações genéticas no cromossomo 19 foram descritas em formas raras de migrânea, a migrânea hemiplégica familiar (FHM1 e 2).

Fisiopatologia da Aura Migranosa: Acredita-se que a depressão alastrante cortical (DAC), um processo transitório que compromete a função cortical a uma velocidade de aproximadamente 3 mm/min, seja o mecanismo subjacente da aura. É possível também que a DAC esteja implicada na geração da cefaleia migranosa. Foi um cientista brasileiro, Dr. Aristides Leão Pacheco, que conseguiu provar essa teoria em animais no início do século passado.

E como é feito o tratamento para ENXAQUECA ?

O tratamento é feito através da abordagem não farmacológica e da farmacológica.

Manejo não-farmacológico da migrânea: Educação do paciente.

Identificar e evitar fatores desencadeantes.

Manter regularidade nas atividades rotineiras.

Manter regularidade no ciclo sono/vigília.

Exercícios aeróbicos.

Considerara perda de peso em pacientes acima do peso.

Biofeedback.

Acupuntura.

Técnicas de relaxamento.

Terapia cognitivo-comportamental

O tratamento farmacológico da enxaqueca é feito de duas formas: tratamento da crise de dor e tratamento profilático (preventivo). O tratamento da crise pode ser feito utilizando medicações analgésicas simples ou antimigranosos específicos. O tratamento preventivo pode ser feito com várias classes de medicações como pro exemplo: antidepressivos em baixas doses, antiepilépticos, antihipertensivos, etc...vai depender da avaliação do seu médico durante a consulta. O correto é evitar ao máximo a automedicação e procurar o Neurologista mais próximo.

Uso excessivo de medicação:

É definido como consumo de triptano, ergotamina, opióide ou analgésicos combinados em 10 ou mais dias por mês, ou de analgésicos simples em 15 ou mais dias por mês.

É um ponto importante na terapia da migrânea e requer que seja identificado e devidamente manejado.

Pode causar cefaleia de rebote.

Pode reduzir a eficácia do tratamento preventivo.

Pode mascarar o fenótipo da cefaleia.