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Dr. Nêuton Magalhães

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Minhas dores vem das alterações da ressonância ou dos músculos?

É muito comum muitos pacientes chegarem ao meu consultório já dizendo que têm DUAS, TRÊS OU MAIS hérnias de disco e trazendo consigo uma pilha de ressonâncias magnéticas de toda a coluna vertebral e que, muitas vezes, não justificam suas dores !!!

Chegar dizendo o próprio diagnóstico geralmente não agrada o médico !

Então...eu pergunto primeiro: O que você sente ? O que te trouxe ao meu consultório ? Como eu posso te ajudar ?

Daí, o paciente, por sua vez, começa a relatar que no momento está sem dor, mas sentiu uma forte dor na coluna há 06 meses quando foi apanhar um objeto no solo e sentiu uma "travada" na coluna. A dor foi intensa, ele ficou desesperado e foi direto para um hospital de emergência. Um médico especialista o atendeu, passou um analgésico na veia e fez uma ressonância de urgência. Poucos dias depois a dor aliviou. O resultado da ressonância revelou TRÊS protrusões discais na região lombar. Mostrou a ressonância a vários "Especialistas" que lhe indicaram cirurgia. Como a dor havia aliviado, optou por não fazer a cirurgia. Evoluiu com crises recorrentes de dor geralmente relacionada a esforços físicos. Ouviu falar que existem médicos especialistas em dor e resolveu me procurar. Passou em consulta, diagnosticamos que sua dor era predominantemente de origem MIOFASCIAL, sem relação com os "achados" das ressonâncias, indicamos Fisioterapia personalizada, depois ele progrediu para exercícios físicos regulares e está há mais de um ano sem crises de dor.

Pois bem, essa é uma rotina quase diária no meu consultório. Pacientes com dores na coluna que "não são explicadas pelas alterações encontradas nas ressonâncias".

Segundo pesquisas feitas em grandes centros, a maioria das dores lombares persistentes não tem nenhuma causa reconhecível em estudos de imagem e é geralmente atribuída à tensão muscular ou lesões ligamentares (65% - 70%) Manchikanti L, Singh V, Datta S, Cohen SP, Hirsch JA; American Society of Interventional Pain Physicians. Comprehensive review of epidemiology, scope, and impact of spinal pain. Pain Physician. 2009; 12(4):E35-70. Disponível em: http://www.painphysicianjournal.com/linkout?issn=1....

A maioria dos estados dolorosos incluem alguns tipos de dores provenientes de estruturas que compõem a coluna vertebral e da musculatura paravertebral e não é fácil na prática clínica identificar as estruturas exatas geradoras de dor. Disco intervertebral, faceta articular, articulação sacro-ilíaca, ligamentos, fáscias, músculos, raízes nervosas e dura-máter, além de estenoses de canal ou dos forames neurais têm sido amplamente reconhecidos como principais causas da dor lombar crônica (LBP) e dor referida. Por conseguinte, não é fácil julgar a partir do exame clínico e de exames de imagem se a causa da lombalgia crônica é devido à degeneração (envelhecimento) destas estruturas. Além disso, as causas da dor não são independentes, mas sim coexistem em muitos diferentes segmentos. Se o bloqueio de uma raiz nervosa pode controlar a lombalgia crônica a partir de múltiplas lesões, o bloqueio com anestésico local e/ou anti-inflamatórios seria um tratamento primário ideal para pacientes com lombalgia crônica para os quais a cirurgia convencional não está indicada. Com isto, promove-se o alivio da dor e permite que o paciente inicie Fisiotarapia e tenha adesão ao processo de reabilitação.

No entanto, a causa das dores crônicas recorrentes na coluna podem não estar exatamente nestas estruturas que são analisadas nos exames de imagens. Podem estar nos músculos e seus envoltórios (fascias) cujas alterações não aparecem nos exames de imagem. Chamamos a isto de SÍNDROME MIOFASCIAL.

Aqui cabe um comentário. É extremamente difícil o próprio paciente, os médicos auditores dos convênios e muitos coelgas médicos acreditarem neste diagnóstico por que não aparece em exames complementares. Não se confiam mais nos médicos como antigamente....não se examinam os pacientes como antigamente...e, aglumas vezes, os pacientes são compelidos a receberrem tratamentos mais para a ressonância do que para sua enfermidade (dor miofascial).

O cotidiano atual é responsável por muitas das dores que acometem as pessoas e a síndrome miofascial é uma delas. Ocorre em uma grande parcela da população, principalmente mulheres e atinge pessoas da faixa etária dos 20 aos 49 anos, inativas e sedentárias. É raro em crianças e adolescentes.

De forma simplificada, pode ser descrita como dor crônica muscular causada por trauma, micro-trauma, ou esforço repetido em um músculo ou grupo de músculos, ligamento ou tendão. É mais comum na musculatura do pescoço, mandíbula, ombros e região lombar.

Em alguns casos o local onde a pessoa sente a dor pode não ser o local onde a dor miofascial originou. Acredita-se que o local da dor ou lesão faz com que se desenvolva um ponto-gatilho que causa dor em outras áreas. Isto é chamada de dor referida.

Parece que tudo dói…pois afeta os músculos esqueléticos, ou seja, os músculos que cobrem nosso esqueleto, sejam músculo-esquelético ou fáscia. Vale ressaltar que o corpo humano é composto de aproximadamente quatrocentos músculos, que representam metade da nossa massa corporal. Imaginem os pontos gatilho dos locais lesionados ainda irradiando a dor para outros locais!

Antes de prosseguir com a descrição da doença, vou explicar alguns termos frequentes quando se trata de dor miofascial crônica.